Lembra quando semanas atrás eu publiquei um artigo, “Um Michael Jackson que quase ninguém conhece”, abordando álbuns anteriores ao estouro dele com o sensacional Off the Wall e, principalmente, o superestimado Thriller – texto que você pode ler aqui – e disse que faria o mesmo em relação aos álbuns que o esquisito cantor gravou com seus irmão no Jackson 5? Pois então… Como um de meus lemas é “conteúdo sempre!”, trago aqui um roteiro para você descobrir “tesouros escondidos” nos quatro primeiros discos do grupo que foi a plataforma para os vôos de Michael.

Diana Ross Presents the Jackson 5 (1969)
É claro que os mais esclarecidos conhecem clássicos instantâneos como “I Want You Back”, mas o disco de estreia dos garotos tinha outras canções de cair o queixo, como “Who’s Loving You”, composta por Smokey Robinson, a divertida “Zip-a-Dee-Doo-Dah”, as sensuais “Can You Remember?” e “Standing in the Shadows of Love”, além da versão de “My Cherie Amour”, tão boa quanto o original de Stevie Wonder.

As harmonias vocais eram inacreditáveis mesmo para os padrões da época e poucas pessoas notaram a profunda influência exercida em todo o disco pelo som dos grupos Funkadelic e Sly & The Family Stone – tanto que a engajada “Stand” não foi incluída por acaso.

 

ABC (1970)
A intensidade da banda era tal que seis meses depois de seu disco de estreia foi lançado este ABC, que trazia logo de cara o estouro da faixa-título e da divertida “The Love You Save”, mas era inegável perceber que a banda tinha amadurecido horrores, até mesmo nos momentos em que tinham que encarar um romantismo explícito, como em “I Found That Girl”. Não dava para não sacudir o pescoço ouvindo pepitas como “(Come ‘Round Here) I’m the One You Need”, do Smokey Robinson & The Miracles, “Never Had a Dream Come True”, outra jóia esculpida originalmente por Stevie Wonder, e a inacreditável safadeza de “I Bet You”, composta por George Clinton!

 

 

Third Album (1970)
Mantendo a qualidade de seus discos anteriores, o grupo apresentou aqui uma pegada ainda mais funky – vide “Mama’s Pearl”, “Ready or Not Here I Come (Can’t Hide From Love)”, dos Delfonics, que anos mais tarde seria surrupiada pelos Fugees -, ao lado de hits instantâneos, como “I’ll Be There”. Só que há outras jóias escondidas, como a bela “The Love I Saw in You Was Just a Mirage”, a sacolejante “How Funky is Your Chicken” e uma surpreendente interpretação de “Bridge Over Troubled Water”, grande clássico composto por Paul Simon.

 

Maybe Tomorrow (1971)
Em seu quarto disco, o grupo deu uma pisada no freio e trouxe um número maior de baladas, mas com uma qualidade acima de qualquer suspeita, como no caso de “Never Can Say Goodbye”, do ator/compositor Clifton Davis – anos mais tarde imortalizada por Gloria Gaynor -, e a faixa-título, mas as canções eram legais mesmo quando a letra, como no caso da deliciosamente tola “My Little Baby”, nas sacolejantes “It’s Great to Be Here” e “I Will Find a Way”.

 

Bem, agora que foi devidamente “bombardeado” com uma série de informações, imagens e sons, que tal continuar a pesquisa por sua própria conta e deixar de lado o chororô dos fãs mais insanos, infantis e bobalhões?

Ouça os discos de Michael Jackson e do Jackson Five com a devida reverência e atenção, mas saiba identificar os momentos em que ele e seus irmãos pisaram na bola. Afinal de contas, nem mesmo todo o lobby feito por alguns milhares de fãs patetas fez com que uma picaretagem explícita como o tal ‘disco póstumo’, Michael, escapasse de ser considerada pela indústria fonográfica como “um dos maiores encalhes de CDs de todos os tempos”.