Ninguém lembra do Jackson 5

Lembra quando semanas atrás eu publiquei um artigo, “Um Michael Jackson que quase ninguém conhece”, abordando álbuns anteriores ao estouro dele com o sensacional Off the Wall e, principalmente, o superestimado Thriller – texto que você pode ler aqui – e disse que faria o mesmo em relação aos álbuns que o esquisito cantor gravou com seus irmão no Jackson 5? Pois então… Como um de meus lemas é “conteúdo sempre!”, trago aqui um roteiro para você descobrir “tesouros escondidos” nos quatro primeiros discos do grupo que foi a plataforma para os vôos de Michael.

Diana Ross Presents the Jackson 5 (1969)
É claro que os mais esclarecidos conhecem clássicos instantâneos como “I Want You Back”, mas o disco de estreia dos garotos tinha outras canções de cair o queixo, como “Who’s Loving You”, composta por Smokey Robinson, a divertida “Zip-a-Dee-Doo-Dah”, as sensuais “Can You Remember?” e “Standing in the Shadows of Love”, além da versão de “My Cherie Amour”, tão boa quanto o original de Stevie Wonder.

As harmonias vocais eram inacreditáveis mesmo para os padrões da época e poucas pessoas notaram a profunda influência exercida em todo o disco pelo som dos grupos Funkadelic e Sly & The Family Stone – tanto que a engajada “Stand” não foi incluída por acaso.

https://www.youtube.com/watch?v=WX7mZgG_8mg

https://www.youtube.com/watch?v=-vpWtD7u1eM

https://www.youtube.com/watch?v=FMuYzSPfL4w

https://www.youtube.com/watch?v=GO2ydpSKp4I

 

ABC (1970)
A intensidade da banda era tal que seis meses depois de seu disco de estreia foi lançado este ABC, que trazia logo de cara o estouro da faixa-título e da divertida “The Love You Save”, mas era inegável perceber que a banda tinha amadurecido horrores, até mesmo nos momentos em que tinham que encarar um romantismo explícito, como em “I Found That Girl”. Não dava para não sacudir o pescoço ouvindo pepitas como “(Come ‘Round Here) I’m the One You Need”, do Smokey Robinson & The Miracles, “Never Had a Dream Come True”, outra jóia esculpida originalmente por Stevie Wonder, e a inacreditável safadeza de “I Bet You”, composta por George Clinton!

https://www.youtube.com/watch?v=4nYYhBwrqYY

 

 

Third Album (1970)
Mantendo a qualidade de seus discos anteriores, o grupo apresentou aqui uma pegada ainda mais funky – vide “Mama’s Pearl”, “Ready or Not Here I Come (Can’t Hide From Love)”, dos Delfonics, que anos mais tarde seria surrupiada pelos Fugees -, ao lado de hits instantâneos, como “I’ll Be There”. Só que há outras jóias escondidas, como a bela “The Love I Saw in You Was Just a Mirage”, a sacolejante “How Funky is Your Chicken” e uma surpreendente interpretação de “Bridge Over Troubled Water”, grande clássico composto por Paul Simon.

 

Maybe Tomorrow (1971)
Em seu quarto disco, o grupo deu uma pisada no freio e trouxe um número maior de baladas, mas com uma qualidade acima de qualquer suspeita, como no caso de “Never Can Say Goodbye”, do ator/compositor Clifton Davis – anos mais tarde imortalizada por Gloria Gaynor -, e a faixa-título, mas as canções eram legais mesmo quando a letra, como no caso da deliciosamente tola “My Little Baby”, nas sacolejantes “It’s Great to Be Here” e “I Will Find a Way”.

https://www.youtube.com/watch?v=UWiVqTCn5n0

https://www.youtube.com/watch?v=7FOy-vp_3BM

 

Bem, agora que foi devidamente “bombardeado” com uma série de informações, imagens e sons, que tal continuar a pesquisa por sua própria conta e deixar de lado o chororô dos fãs mais insanos, infantis e bobalhões?

Ouça os discos de Michael Jackson e do Jackson Five com a devida reverência e atenção, mas saiba identificar os momentos em que ele e seus irmãos pisaram na bola. Afinal de contas, nem mesmo todo o lobby feito por alguns milhares de fãs patetas fez com que uma picaretagem explícita como o tal ‘disco póstumo’, Michael, escapasse de ser considerada pela indústria fonográfica como “um dos maiores encalhes de CDs de todos os tempos”.

 

 

7 respostas

  1. Régis, me lembro que uma das primeiras coisas que vi do Jackson 5 – muito antes de me contarem que Michael Jackson era um deles – foi esta apresentação [ https://m.youtube.com/watch?v=AlKWf48ITOo ] que eles fizeram no American Bandstand, numa versão para a canção ‘There Was a Time’, de James Brown. Eu sinceramente pensei que ele fosse um anãozinho.
    Depois de saber que este “anãozinho” era Michael Jackson, minha cabeça deu uma pane total! Era pirralha quando recebi esta informação… eu apenas fiquei meia-hora voando. Eu poderia pensar várias coisas como “ok, por que ele era uma criança negra?”, mas apenas me lembro de pensar “wow, ele é mais legal do que eu imaginava!” – porque, você sabe, crianças têm preocupações mais relevantes.
    Gostava de Jermaine, também, sua voz era incrivelmente bonita, além de não fazer feio no baixo – mas isso, claro, enquanto parte do Jackson 5, pessoalmente não curto sua carreira solo, nem de nenhum dos irmãos Jackson – acho, inclusive, Janet chatíssima e superestimada.
    Mas, voltando… apesar de os Jackson 5 terem se tornado um grupo conhecidíssimo na época – até mesmo se tornando um desenho animado – há muitos que não conhecem, ou pelo menos não se lembram tanto dessa parte na história de Michael Jackson. E é isso o que mais me fascina em Jackson: quanto mais você escava, mais você fica estupefato com o que encontra. Sua trajetória é riquíssima.
    Seus irmãos faziam a lição de casa muito bem, mas era Michael Jackson quem nos perturbava, sempre tão impressionante e singular… desde girino.

    1. Nisso acho que todos concordam, no Jackson 5 ele era sim “impressionante e singular” até crescer e se tornar uma aberração perturbada e egocêntrica. Michael tinha tudo nas mãos para ser o maior de todos, mas infelizmente cresceu, deu vida a um disco sensacional como o “Off The Wall”, dois ótimos álbuns como “Thriller” e “Bad”, um acima da média como “Dangerous”, um irregular “History disco 2” e decaiu a um quase ostracismo musical com os abomináveis “Blood On a Dance Floor” e “Invencible”. Morreu devendo até as calças e pronto pra fazer uma surreal turnê intitulada de “This Is It” (a qual eu duvido que ele chegasse a metade dos shows prometidos), muito culpa de suas atitudes e escolhas bem erradas. Uma pena, que o garoto negro que encantou a todos, tenha morrido como o homem branco que assustou aos mesmos espectadores.

    2. Por muito tempo subestimei a Janet por achar que só chegou onde chegou por ser irmã de quem é, mas ela tem pelo menos 3 albuns que são sensacionais que realmente valem a pena, ja o resto da discografia é bem irregular.

    3. Por muito tempo subestimei a Janet como voce por achar que só chegou onde chegou por ser irmã de quem é, mas ela tem pelo 3 albuns sensacionais que valem a pena, o resto é bem irregular.

  2. Regis, boa noite. E da Janet Jackson, você acha que vale a pena procurar alguma coisa? Não sou muito familiarizado com o repertório dela, então queria saber onde catar o ouro logo de cara.

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