Lembra que na semana passada eu postei aqui um texto a respeito de excelentes álbuns que muita gente – mas MUITA mesmo! – jamais ouviu uma faixa sequer e já saiu por aí soltando “esse disco é uma merda” a torto e a direito, de maneira quase irresponsável? Lembra que eu também prometi que voltaria a recomendar a audição atenta de alguns outros – de preferência, com bons fones de ouvido e em um ambiente tranquilo? Pois então aqui estão mais três discos que passaram quase que totalmente despercebidos pelo grande público que consome música neste País maluco nos últimos anos.

A recompensa em ouvir trabalhos não necessariamente atuais é essa: perceber o quanto você esteve errado em seu julgamento apressado só para bancar o ‘fodão’ com seus ‘parças de Facebook’.

 

THE GASLIGHT ANTHEM – Get Hurt
Sempre aberto a novidades, confesso que fiquei surpreso em 2014 quando ouvi esse álbum da boa banda de New Jersey, que eu já vinha acompanhando desde algum tempo. Na época, fiquei entusiasmado pela ousadia dos caras em misturar as influências de um de seus mais ardorosos admiradores – o conterrâneo Bruce Springsteen – com uma das bandas mais divertidas e bacanas de todos os tempos, que é o Cheap Trick. O resultado desse amálgama maluco foi um punhado de excelentes canções, que ainda soam como novas nos dias de hoje. Pena que a banda não exista mais nos dias atuais…

 

MASTODON – Once More Round the Sun

Seus integrantes sempre estão na última fileira de uma sala de aula musical em que reine o comodismo artístico, buscando qualquer oportunidade para tumultuar o ambiente. Cada um de seus álbuns traz sonoridades diferentes, todas embrulhadas em um conceito em que reinam timbres pesadaços, letras desconcertantes e uma abordagem que foge totalmente do imaginário metálico, como se pesquisassem profundamente para elaborar cada uma de suas excelentes canções. E esse álbum está cheio delas…

 

ROYAL BLOOD – Royal Blood

Já que escrevi a respeito de surpresas, este foi o disco mais absurdamente surpreendente dos últimos anos. Logo em seu álbum de estreia, a dupla inglesa formada pelo baixista/vocalista Mike Kerr e pelo baterista Ben Tatcher fizeram um som inacreditavelmente pesado, com arranjos sublimes para os dois instrumentos em conluio com a voz. Chega a ser inacreditável que dois sujeitos pouco experientes tenham conseguido elaborar uma fórmula sonora tão desconcertante logo de cara.

 

Boa audição!